Evento reuniu ex-ferroviários no complexo da EFMM e reforçou o vínculo da cidade com sua origem

“Se eu tivesse que voltar no tempo, faria tudo de novo.”
A frase é de Maria Auxiliadora Lobo de Souza, 92 anos, e carrega história, luta, orgulho e emoção.
Dona Maria foi a única mulher entre 843 homens na ferrovia. Foram mais de 30 anos dedicados a um trabalho que exigia força, coragem e resistência. Mesmo diante das dificuldades, ela nunca pensou em desistir.
“Eu tirava tudo de letra”, relembra ao falar dos desafios enfrentados na época.
Foi com essa mistura de emoção e memória viva que a Prefeitura de Porto Velho realizou, na manhã desta quarta-feira (30), um café da manhã em homenagem ao Dia do Ferroviário, no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Muito além dos trilhos
Antes mesmo de sair para o trabalho, dona Maria já havia cumprido outra jornada. Acordava às 5h da manhã, deixava o almoço pronto, organizava a casa, cuidava dos filhos e só então seguia para a ferrovia.
Com o apoio do esposo, construiu uma trajetória marcada por dedicação dentro e fora de casa.
Hoje, o que mais emociona é ver a litorina voltar a funcionar.
“Eu vivi isso todos os dias… passeava pelos trilhos. É uma emoção muito grande ver de novo.”
E o pedido dela é simples, mas poderoso: que essa história nunca se apague.
“Nunca deixei de ser ferroviário”
Antônio Moisés também carrega essa história no peito. Ele começou cedo, aos 16 anos, quando aprendeu a conduzir a litorina com Raimundo Nicanor e nunca mais saiu da ferrovia.
“Foi ali que tudo começou. E dali pra frente, nunca deixei de ser ferroviário.”
Ao longo dos anos, ele viu de perto a importância dos trilhos para a região, transportando pessoas, histórias e sonhos, inclusive até Guajará-Mirim.
Também presenciou o silêncio que tomou conta da ferrovia por tanto tempo.
Por isso, ver o trem voltar a andar hoje tem um significado especial.
“Isso não tem preço.”
Memória que precisa ser vivida
O secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, destacou que o momento vai além da homenagem.
“Estamos reconhecendo aqueles que deram a vida para essa história existir e também os que fizeram essa história resistir. A maior homenagem é permitir que as novas gerações não apenas conheçam essa história, mas vivam essa experiência.”
Para ele, o resgate da ferrovia representa também um reencontro da cidade com a própria origem.
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, afirmou que preservar a memória da ferrovia é valorizar a identidade da capital.
“Essa história ajudou a construir Porto Velho. Nosso compromisso é manter viva essa memória e garantir que as novas gerações possam conhecer e vivenciar esse patrimônio tão importante para a cidade”, destacou.
O trem como símbolo de futuro
Durante o evento, o prefeito também reforçou que o reconhecimento aos ferroviários vem acompanhado de ações concretas.
“Depois de mais de 20 anos de abandono, conseguimos fazer a locomotiva voltar a apitar e andar. Agora estamos iniciando um pacote de revitalização, com reforma da litorina, da locomotiva e o retorno do passeio de trem. É mais um passo para trazer tudo isso de volta, porque a nossa história merece respeito.”
Uma história que continua
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré não ficou no passado.
Ela segue viva na memória de quem ajudou a construí-la, na emoção de quem relembra e, agora, na oportunidade de novas gerações viverem aquilo que antes existia apenas nos relatos.
Texto: Hellen Paiva
Edição: Secom
Fotos: Hellon Luiz
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)